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188 Netas: Bianca Ciobanu Bate o Recorde do MIR — Mas a IA Já Vai nos 200

Bianca Ciobanu Selaru entra para a história com 188 netas, o melhor resultado humano alguma vez registado no MIR. 41 anos, origem romena, a prova de que a perseverança quebra moldes.

Mas o recorde humano chega num momento singular: três modelos de IA já resolveram o exame completo — 200 de 200 — e quinze superam as 194 netas. Analisamos o que este duplo marco significa com dados, gráficos e contexto.

Equipo MedBench2 de março de 202611 min de leitura
MIR 2026ResultadosIA vs HumanosBianca CiobanuRecorde MIRBenchmark

A 1 de março de 2026, o Ministério da Saúde publicou os resultados provisórios do MIR 2026. Enquanto 15.283 candidatos consultavam a sua pontuação, na MedBench já tínhamos há semanas um dado que coloca tudo em perspetiva: três modelos de IA já haviam respondido às 200 perguntas válidas do exame sem um único erro.[1]

O recorde humano pertence a Bianca Ciobanu Selaru com 188 netas — a melhor nota da história do MIR. Um marco extraordinário. Mas um marco que chega no mesmo momento em que a IA opera numa região onde nenhum humano jamais chegou: quinze modelos superam as 194 netas, e três alcançam a perfeição absoluta de 200/200.

Este artigo liga ambos os mundos: o esforço humano excecional e o desempenho artificial que já não tem teto neste formato.


1. O Recorde: Bianca Ciobanu e as 188 Netas

Bianca Ciobanu Selaru tem 41 anos, é de origem romena e começou o curso de Medicina aos 34. Conciliou os estudos com trabalho. A 1 de fevereiro de 2026 sentou-se no exame MIR e obteve 188 netas, equivalentes a 119,3784 pontos na escala oficial (nota de exame mais baremo académico).[2]

O recorde anterior pertencia a Noelia García com 186,67 netas no MIR 2024 (187 acertos, 1 erro, 12 em branco).[3] Bianca supera esse registo em mais de um ponto líquido — um salto notável num exame onde cada décima do topo conta.

A história de Bianca é, por si só, um argumento contra os estereótipos: a idade não é um limite, a origem não é um limite, a experiência de vida soma. O que fez a 1 de fevereiro exigiu anos de preparação sustentada e um dia perfeito de execução.


2. Radiografia da Convocatória

Os dados-chave do MIR 2026, segundo as listas provisórias do Ministério da Saúde:[2]

IndicadorDado
Candidatos presentes15.283
Vagas oferecidas9.276
Taxa de aprovação98,68%
Mediana de netas102
Média de netas97,35
Percentagem de mulheres (total FSE)74,03%
Nova especialidadeUrgências e Emergências (83 vagas)
Recorde histórico188 netas (Elena Bianca Ciobanu Selaru)
Top universidades (Top 10)UCM (3), Granada (2), Rovira i Virgili, Málaga, Valladolid, Autónoma de Barcelona, Castilla-La Mancha

3. A Brecha: Três Anos de IA vs. Humanos

Comparação entre o melhor recorde de IA e o melhor resultado humano conhecido por edição MIR. Fontes: MedBench (IA), Ministério da Saúde (humanos).

A evolução ao longo de três edições revela uma tendência clara:

  • MIR 2024: A IA supera o melhor humano por 7 netas. É a primeira edição do benchmark e já existe vantagem artificial desde o primeiro momento.
  • MIR 2025: A brecha dispara para 25 netas. O melhor resultado humano foi mais baixo (165,67 netas), enquanto a IA subiu (190,67). Foi um exame considerado "mais difícil", e a IA acusou menos a dificuldade do que os humanos.
  • MIR 2026: A brecha comprime-se para 10,67 netas, mas por uma razão matizada: o MIR 2026 foi percecionado como "mais acessível" (a mediana humana subiu para 102), o que permitiu a Bianca chegar às 188. A IA, por sua vez, subiu 8 netas absolutas até 198,67.

A conclusão não é que a brecha "se esteja a fechar" — é que a IA ganha sempre, e a distância depende mais da dificuldade do exame (que afeta mais os humanos) do que dos avanços do modelo.

Para contexto completo sobre a evolução da IA no MIR, veja "199 de 200: A IA Só Falha Uma no MIR 2026" e "Duas Semanas Depois: 22 Modelos Novos e Triplo 200/200".


4. A Curva e as Máquinas

Média humana (97,35)
Mediana humana (102)
Bianca Ciobanu (188)
Top IA — 198,67
ALMA/MIRI (200)

Distribuição estimada dos 15.283 candidatos do MIR 2026 (média=97,35, σ≈30). Linhas verticais: melhores resultados humanos e de IA.

Este gráfico posiciona os 15.283 candidatos do MIR 2026 na sua distribuição estimada (gaussiana com média 97,35 e σ≈30). O que revela é a magnitude da proeza de Bianca — e a magnitude da brecha com a IA:

  • A média humana (97,35 netas) e a mediana (102 netas) situam-se na zona central da curva, onde se concentra a maioria dos candidatos.
  • Bianca Ciobanu (188 netas) está a mais de 3 desvios-padrão acima da média. É um outlier excecional: estatisticamente, apenas 1 em cada ~700 candidatos atingiria essa zona numa distribuição normal. Na prática, apenas uma pessoa o conseguiu na história do MIR.
  • A IA opera fora da curva humana. A linha violeta (198,67 netas, top padrão) e a linha teal (200 netas, ALMA/MIRI) estão numa região onde a densidade humana é essencialmente zero.

Dito de outra forma: as 188 netas de Bianca são um resultado que provavelmente não veremos repetido durante anos. E, ainda assim, não entrariam sequer no top 20 de modelos de IA avaliados na MedBench.


5. O Ranking Alargado: 15 Modelos vs. a Melhor Humana

Google
OpenAI
Anthropic
Custom

Top 15 modelos de IA no MIR 2026 face ao recorde humano de Bianca Ciobanu (188 netas) e à mediana humana (102 netas).

O impacto visual é imediato: todas as barras de IA ultrapassam a linha vermelha de Bianca Ciobanu (188 netas). E a mediana humana (102 netas, linha âmbar) fica muito à esquerda, dando escala real à comparação.

Pontos de destaque:

  • Três modelos com 200/200: ALMA, MIRI e Gemini 3.1 Pro Preview — nota perfeita, zero erros.
  • Três empatados a 198,67: Gemini 3 Flash, o3 e GPT-5 — um único erro cada um.
  • Diversidade de fornecedores: Google, OpenAI, Anthropic e modelos custom. Não é o domínio de um único laboratório; é uma capacidade sistémica da tecnologia atual.
  • O modelo mais barato do top 15 (Gemini 3 Flash, 0,34 €) supera o recorde humano histórico por mais de 10 netas.

A análise completa de custos e eficiência encontra-se em "O Canivete Suíço e o Bisturi". Para a comparação open-weights vs proprietários, veja "A Catedral e o Bazar".


6. As Polémicas da Convocatória

Nenhum MIR está isento de controvérsia, e o de 2026 acumulou várias que merecem menção:

Baremo académico e recursos: Mais de 2.900 candidatos figuram nas listas provisórias com um baremo de 5 pontos (o mínimo por defeito), um número invulgarmente alto. Segundo fontes especializadas, entre 1.000 e 1.500 candidatos terão apresentado recursos formais ao Ministério da Saúde por discrepâncias no cálculo do baremo. Um erro no baremo pode deslocar um candidato centenas de posições no ranking, tornando esta questão muito mais do que administrativa.[4]

Transparência nas listas: Ao contrário de edições anteriores, as listas provisórias do MIR 2026 não incluem a desagregação de acertos, erros e perguntas em branco por candidato — apenas a pontuação líquida final. Isto gerou críticas em fóruns de candidatos como o MIRentrelazados, onde se assinala que sem esta desagregação é impossível verificar individualmente que a nota esteja correta.[5]

Dificuldade do exame: A mediana de 102 netas em 2026 (face a 102,15 em 2025) sugere um nível de dificuldade semelhante ou ligeiramente inferior ao do ano anterior. O recorde humano de 188 netas aponta na mesma direção: um exame que permitiu aos mais bem preparados atingir notas mais altas. Alguns candidatos assinalam que a distribuição de temas favoreceu candidatos com preparação abrangente, embora isto seja difícil de confirmar sem dados oficiais granulares.

Rácio candidatos/vaga: Com 15.283 presentes para 9.276 vagas, aproximadamente 6.000 candidatos ficam sem vaga. A incorporação da nova especialidade de Urgências e Emergências (86 vagas) alarga ligeiramente a oferta, mas não compensa o crescimento de candidatos.


7. O Que o MIR Mede — e o Que Não Mede

O MIR é um exame de 200 perguntas de escolha múltipla sobre conhecimento médico factual. É um instrumento de seleção concebido para ordenar milhares de candidatos, e cumpre essa função. Mas é uma fatia estreita do que significa praticar medicina.

O que o MIR não mede:

  • Empatia clínica e comunicação com o doente
  • Exame físico e competências procedimentais
  • Gestão da incerteza — o MIR tem uma resposta correta; a clínica real, muitas vezes não
  • Trabalho em equipa multidisciplinar
  • Juízo ético perante dilemas reais
  • Experiência de vida — precisamente o que distingue o percurso de Bianca

A IA demonstrou que, para recuperação de conhecimento e correspondência de padrões em escala — exatamente o que um exame de escolha múltipla mede —, o desempenho artificial supera o humano de forma consistente e crescente. Isto não é surpreendente: é o tipo de tarefa para o qual os modelos de linguagem estão otimizados.

Mas a história de Bianca Ciobanu — 41 anos, experiência profissional, segundo país, curso iniciado aos 34 — é um lembrete de que a medicina é muito mais do que acertar perguntas. O MIR abre a porta à formação especializada; o que vem depois é o que define o médico.


8. Conclusões

  1. 188 netas = marco humano histórico. O resultado de Bianca Ciobanu Selaru é o melhor alguma vez registado no MIR. É uma conquista de preparação excecional que provavelmente não se repetirá a curto prazo.

  2. A IA já vai nos 200/200. Três modelos (ALMA, MIRI, Gemini 3.1 Pro) resolveram o exame completo sem erros. O teto do formato MIR está atingido para a inteligência artificial.

  3. A brecha é consistente ao longo de três anos. Nas três edições do benchmark (MIR 2024, 2025, 2026), a IA superou o melhor humano. Não é um pico pontual; é uma tendência consolidada.

  4. As controvérsias do processo merecem atenção. Os problemas com o baremo académico (milhares de recursos) e a falta de transparência nas listas (sem desagregação de acertos/erros) são questões que afetam a confiança no sistema e que merecem reforma institucional.

  5. A comparação tem limites. O MIR é um exame de escolha múltipla. Não captura a empatia, o exame físico, a gestão da incerteza nem o juízo clínico. A IA domina o formato; a medicina é muito mais do que o formato.

Para a análise técnica completa da IA no MIR 2026, esta é a série de artigos do benchmark:


Notas y Referencias

  1. ALMA, MIRI y Gemini 3.1 Pro Preview alcanzaron 200/200 en el MIR 2026. Resultados completos y metodología en medbench.a2r.com/rankings/mir-2026.
  2. Ministerio de Sanidad, Servicios Sociales e Igualdad: resultados provisionales del MIR 2026, publicados el 1 de marzo de 2026. sanidad.gob.es.
  3. Récord anterior del MIR: Noelia García obtuvo 186,67 netas en el MIR 2024 (187 aciertos, 1 error, 12 en blanco). Fuente: datos de MedBench y Redacción Médica.
  4. Recursos al baremo académico del MIR 2026: información recopilada de foros especializados y prensa sanitaria. iSanidad y Gaceta Médica.
  5. Debate sobre transparencia en los listados MIR 2026: foro de opositores MIRentrelazados y análisis en mirentrelazados.com.
  6. Datos de aspirantes, plazas y nueva especialidad de Urgencias y Emergencias: convocatoria oficial BOE y comunicados del Ministerio de Sanidad. boe.es.